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Quem tem medo do escuro?:
Esse site foi feito para ser uma mistura de “Histórias que o Povo Conta” e “Senta quer lá vem a história”. Isso porque serão histórias do extraordinário, de suspense, etc, só que em capítulos diários. Cada dia vou postar mais um pedaço até que a obra esteja completa. Será uma história de suspense, fantasia, ficção... Se você tiver a curiosidade suficiente para acompanhar... ahh, não se assuste, não serão histórias de terror...
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Ao pé da fogueira:
Luciano Marques
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Domingo, Abril 10, 2005
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A Passagem
Capítulo 6
Se os jovens já estavam com a impressão de que estavam sonhando, ver aquela criatura atenuava ainda mais a situação. Não conseguiram definir bem, no início acharam que eram três aves juntas, uma ao lado da outra. Segundos depois, porém, perceberam que a criatura era uma espécie de coruja, enorme, com três cabeças. Todas fitando-os de forma tenebrosa. As penas eram de um negro azulado, os bicos estavam gastos e os olhos amarelos extremamente profundos. A cabeça da direita tinha um estranho tom de sépia entre as penas escuras e a da esquerda, penas coloridas.
A cabeça que falava com o grupo era a do meio. A cada palavra, um arrepio dos primos.
- Ora, ora, quem diria. Não pensei que chegariam até aqui. Não têm idade o suficiente para assumirem a palavra, mas assim o fizeram...
Nando, Aline e Roberto tentavam dizer algum coisa, mas o máximo que conseguiam era engolir seco. Aquilo era um coruja enorme, maior que um cachorro, e tinha três cabeças! Pior, uma delas estava falando com eles.
- Agora que estão aqui, para onde vão? Vamos, me diga, não me deixem aqui falando em vão.
Nando finalmente criou coragem de falar. - Quem é você?
- Você quem? - disse a cabeça da esquerda com sua voz nebulosa, assustando ainda mais os jovens.
- Ele perguntou a mim - falou a do meio.
- Por que ele não pode ter falado comigo? - comentou a terceira, à direita.
As três cabeças estavam olhando umas para as outras e as asas da criatura se abriram, mostrando uma enorme envergadura.
- Eu quis dizer quem são vocês - emendou Nando de olhos arregalados.
As três cabeças da enorme coruja olharam para o jovem de forma curiosa e fizeram uma pausa antes de falarem quase que ao mesmo tempo.
- Eu não tenho nome... Eu não gosto de dizer o meu... Eu tenho... mas, quer saber? Não vou dizer.
Os jovens estavam confusos. As três cabeças estavam falando, mas Roberto atravessou. - Então vamos fazer assim, você vai ser o um, o do meio dois e o da esquerda três. Já basta eu estar falando com um animal... agora essa indecisão.
- Hum... - resmungou o três. - Para mim tanto faz.
- Para mim também - disseram as outras duas em coro.
Aline, que até apenas observava, deu um passo à frente e encarou a coruja, por mais que aquilo lhe fizesse tremer de medo.
- Vocês três... podem nos responder, por favor, onde estamos?
- Usem a imaginação... - disse a um com sua voz grave, caindo em uma gargalhada tenebrosa, que era um misto de riso com pio.
- Vamos lá... - disse a jovem desanimada... - Já que vocês falam, não custa nada dar uma ajudazinha...
- Só posso dizer que vocês estão onde queriam estar... - apontou a três.
Enquanto Aline conversava com a coruja, Roberto observava a paisagem. Achou estranho aquela luminosidade alaranjada e não soube definir se era claro ou escuro.
- Vocês, corujas... - chamou Roberto. - Que horas são? É dia ou noite? Tentei achar o sol... não consegui...
- Aqui não é dia - disse a um, logo seguida pela dois -, nem noite.
- Nem dia nem noite... sei - comentou Nando fazendo careta.
De repente surgiu no céu o som de um estrondo. Aquilo chamou a atenção dos três, que olharam para o alto curiosos.
- Por falar em hora, chegou o momento de irem andando... - disseram as três cabeças ao mesmo tempo.
Quando os primos voltaram a atenção novamente para a coruja, ela havia sumido. Porém, a voz da terceira, a mais irritante e rabugenta delas, restou no lugar pos alguns segundos.
- Vão andando... e decidam por onde devem seguir. Não era para falar isso, mas vá lá... A da direita vai ao ontem, a do meio fica aqui e a da direita, quem pode saber?
Os jovens procuraram a coruja entre as pedras, mas não obtiveram resultado.
- Elas disseram para irmos andando... - comentou Nando.
- Elas não... foi a três que disse - lembrou Aline. - Aquela com as penas coloridas e voz funesta.
- É verdade - concordou. - Enfim, o que vamos fazer? Ir andando, como a três disse?
- Por que não? - indagou Roberto. - Já que estamos aqui, porque não damos uma explorada no lugar? O objetivo não era esse?
Os primos decidiram que o melhor a fazer era conhecer o lugar. Sabiam que aquilo não era normal. Não era noite nem dia, o céu tinha cores estranhas e uma coruja de três cabeças os recepcionaram. O que poderiam encontrar mais à frente?
Depois de caminhar por alguns minutos naquela estranha grama, os jovens ultrapassaram um setor onde o terreno era elevado e se depararam com um lugar que explicava as últimas palavras da coruja. O caminho se dividiu em três. A trilha da esquerda era de uma grama seca e mal cuidada. O caminho do meio era bem parecido com o que estavam e o da direita era acompanhado por flores lilás e verdes, todas com muitos espinhos.
- O que faremos agora? - perguntou Aline, olhando de forma indecisa para os três caminhos.
continua...
contado por Luciano Marques
, às 7:45 PM
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