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Quem tem medo do escuro?:
Esse site foi feito para ser uma mistura de “Histórias que o Povo Conta” e “Senta quer lá vem a história”. Isso porque serão histórias do extraordinário, de suspense, etc, só que em capítulos diários. Cada dia vou postar mais um pedaço até que a obra esteja completa. Será uma história de suspense, fantasia, ficção... Se você tiver a curiosidade suficiente para acompanhar... ahh, não se assuste, não serão histórias de terror...
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Luciano Marques
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Terça-feira, Abril 05, 2005
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A Passagem
Capítulo 5
Aline estava sentada. Não conseguia se levantar. Na verdade, mal conseguia dizer alguma coisa, pois sua boca estava escancarada como as costelas de uma carcaça em um sertão escaldante. Nando e Roberto estavam na mesma situação.
Depois de estarem em um porão completamente escuro, os três agora presenciavam uma paisagem horrenda e ao mesmo tempo deslumbrante. O céu se desdobrava em cores púrpura, cinza e vermelho escuro. Não havia lua, por isso as nuvens carregadas estavam quase imperceptíveis.
- Eu não queria desviar a atenção de vocês - disse Nando -, mas olhem para baixo...
Eles estavam tão encantados com o céu que nem sequer tinham olhado para baixo. Havia lá uma paisagem extremamente diferente de tudo que aqueles olhos tinham presenciado até então. No horizonte, as silhuetas das montanhas pareciam se mexer lentamente. A grama onde estavam sentados era áspera, de um verde muito escuro, e o chão sob ela aparentava ser mais macio que deveria. À direita eles puderam ver árvores completamente disformes, com raízes crescendo para cima e galhos nervosamente tortos e retorcidos. O caule era gordo e oscilava às vezes, como se estivesse respirando.
Por um instante os jovens imaginaram que estavam sonhando. Nando chegou a pensar que tudo aquilo não passava de uma alucinação, mas declinou dessa posição quando notou que os primos estavam vendo e comentando das mesmas coisas absurdas. Além das montanhas, da grama e das árvores, ele viu um gigantesco pássaro voar alto, arrastando um pouco de nuvem com sua cauda. Aquilo parecia impossível, mas, diante do que já tinha visto, do que poderia duvidar?
Finalmente os primos resolveram se levantar. Desequilibraram-se um pouco e sentiram dificuldade de respirar. O ar naquele lugar era doce, quente e um pouco ácido. Aline chegou a tossir e ficou com medo de sua asma. Era assustador respirar algo tão diferente.
Mal ficaram de pé, ouviram novamente a voz que pediu a palavra de cada um ainda quando estavam no porão. Desta vez, não havia eco e parecia estar vindo do lado esquerdo. Do canto onde haviam pedras tão pontudas que poderiam cortar o tempo.
- Já que disso aqui nada contarão, me respondam agora, pois jamais aceito não. De onde vem, o que querem... e onde pensam que vão?
Se os jovens estavam espantados com o que estavam vendo, ficaram boquiabertos quando olharam para a esquerda e enxergaram a criatura que falava. Não era nada, nem de longe, parecido com o que eles já tinham visto até aquele dia...
continua...
contado por Luciano Marques
, às 3:10 AM
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